terça-feira, 12 de agosto de 2008

Exegese Bíblica

Ler e Compreender, atos necessários à exegese bíblica

termo “exegese” procede do grego eksēgēsis, isto é, “narrativa”, “explicação” ou “interpretação”. O substantivo deriva-se do verbo eksēgēomai, palavra de significado elástico nas páginas do Novo Testamento cujo sentido e tradução nos textos de Lucas 24.35, João 1.18; Atos 10.8; 15.12,14 e 21.19, abrange os vocábulos “contar”, “explicar”, “interpretar”, “descrever”, “relatar” e “revelar”. O significante eksēgēsis é constituído pelo tema verbal composto “ek”, “fora de” e “hēgeomai”, que se traduz primariamente por “liderar”, “guiar”, “conduzir”, e pelo sufixo “sis”, que indica ação. Literalmente quer dizer “conduzo para fora”, “extraio”. Segundo o uso mais remoto, o eksēgētes era o “expositor”, “narrador”, "ledor" ou “intérprete” das leis, seja divina ou não, ou simplesmente um “escriba”, “escritor” ou “sábio”.
De acordo com as seis ocorrências do termo nas páginas neotestamentárias, conforme o contexto, traduz-se por “narrativa”, “explicação” e “interpretação”. Exegese, segundo o étimo, significa a ciência que narra, explica, traduz e interpreta textos quer sacro ou profano. A exegese bíblica, portanto, é a extração, explicação, narração ou interpretação dos textos bíblicos. Todavia, o comentário da perícope bíblica, tradicionalmente chamado de exegese, somente é realizado pelo exegeta após a leitura e compreensão do texto em análise. Portanto, antes de explicar o texto é necessário ler e compreendê-lo. Essa dimensão da interpretação foi captada maestricamente pelo filósofo do sentido, Paul Ricoeur, quando afirmou que “a exegese se propõe a compreender um texto a partir de sua intenção, sobre o fundamento daquilo que esse texto significa”. Logo, a exegese quanto ciência da interpretação, se ocupa da compreensão e explicação do texto; isto é, do entendimento, elucidação do cuntextum, de sua trama, contextura e das conexões lógicas que existem entre as diferentes partes do texto a fim de torná-lo coerente. De acordo com James R. White, a exegese é o processo de compreender o texto da Bíblia em seu próprio contexto. Logo, dois binômios são necessários à tarefa da exegese: compreender e explicar. O primeiro procede da investigação metódica e conscienciosa do exegeta, enquanto o segundo, do resultado derivado da análise.
Ao afirmarmos que a Exegese é a ciência da compreensão e explicação de textos, isto quer dizer que devemos acima de tudo entender que na prática existe um abismo entre “ler” e “compreender”, embora no grego neotestamentário as duas palavras estejam etimologicamente relacionadas. É possível ler um texto das Escrituras e não compreender o sentido ou a mensagem do mesmo. O eunuco de Atos 8.30-35 lia mas não compreendia. Vejamos rapidamente esse pormenor. Embora não perceptível na língua portuguesa, no grego do Novo Testamento, Filipe usa dois verbos cognatos: ginōskeis, traduzido pela ARA e TEB por “compreender”, pela NVI por “entender”, mas por extensão “ter ou tomar conhecimento”; e, anaginōskeis, procedente da preposição ana que em composição inclui o sentido de “sobre”, e ginōskō , traduzido em diversas passagens por “saber”, “conhecer”, “vir a conhecer”, “entender”, “compreender” (Mt 13.11; Mc 4.13; Jo 8.32, 43; 14.7). O significado primário de anaginōskeis é “lendo em voz alta” e, o uso do verbo no imperfeito no versículo 28 (aneginosken), descreve uma ação inacabada, que está em curso ou duração. Por essa razão, Filipe ouvi-o lendo o profeta Isaías (v.30) – não é sem razão que os gregos ainda hoje usam o termo anagnostikós como referência ao gosto pela leitura.
À semelhança da leitura orante da Bíblia, à maneira de Carlos Mesters, Filipe interroga o eunuco: “Compreendes o que vens lendo?” Em que, o termo que define o sentido de “compreender”, participa do mesmo campo semântico do vocábulo que determina o significado de “leitura”; pressupondo que a leitura deve nos conduzir a uma compreensão do texto, e que o próprio ato de ler leva-nos ao de compreender. Compreender, portanto, é alcançar por meio da inteligência o significado daquilo que se está lendo. Quando compreendemos o que estamos lendo, percebemos as intenções de quem escreveu e entendemos aquilo que está contido no texto.
A resposta do etíope não deixa de ser menos esclarecedora. Principalmente pelo vocábulo que o historiador usa para descrever a resposta do leitor interessado. O termo grego, traduzido por “explicar” na ARA, e “ensinar” na ARC, é hodēgēsei, procedente do verbo hodēgeō, que significa “guiar”, “liderar”. O texto ipsis litteris quer dizer: “Como posso entender se alguém não me guiar”. “Guiar” na compreensão do texto. “Guiar” na exata interpretação do conteúdo, tal qual traduziu a TEB: “E como poderia eu compreender, se não tenho guia?”. Nunca é demais repisar que a leitura de um texto é o primeiro passo para compreendê-lo.
Por conseguinte, a leitura exegética do texto bíblico é, inicialmente, diacrônica, pois está interessada no desenvolvimento histórico do texto, depois, sincrônica, pois situa-se no centro de origem lingüística, histórica e social a que está inserido. Por fim, apresenta ao homem e a igreja contemporânea a mensagem das Escrituras conforme as suas interrogações e dilemas. Filipe explica o texto ao eunuco etíope e, a partir do contexto do profeta Isaías, “anunciou-lhe a Jesus” (At 8.34,35).
A explicação e narração do texto sagrado foram além do invólucro dos sinais semânticos e das sínteses culturais, que às vezes estão longe da cultura e dos problemas daquele que ouve. Essa superação interpretativa na prática da evangelização mostra-nos que uma leitura significativa das Escrituras não é apenas documental e acadêmica, mas também, e, principalmente, evangelística e pastoral.
A leitura e compreensão das Sagradas Escrituras devem conduzir o homem a Deus, por meio de Cristo, o Logos encarnado. Qualquer leitura crítica da Bíblia que afaste o homem de Cristo ou da fé apostólica não cumpre os propósitos pelo qual o Verbo de Deus se manifestou (Jo 1.14). Shökel sabiamente afirma que "a Palavra de Deus não é apenas uma informação religiosa, uma informação sobre Deus; é Deus mesmo se autocomunicando, mais ainda se auto-revelando". Deus revela-se por meio do Verbo Encarnado, o LogoV tou Qeou, como também mediante a Sagrada Escritura, a Revelação Epistemológica.
Filipe, a partir das Escrituras, anunciou o nosso Senhor Jesus ao etíope (At 8.35). O propósito pelo qual interpretou a Palavra de Deus segue-se imediatamente ao fechamento da narrativa lucana: "desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou" (At 8.38). A interpretação das Escrituras nessa perícope cumpriu certos propósitos evangelísticos e poemênicos. Isto não quer dizer que a exegese e hermenêutica bíblica limitam-se à evangelização e ao pastoreado, pelo contrário, mas que a ciência bíblica de análise e interpretação do texto sagrado não deve omitir-se na tarefa de conduzir o homem a Deus, por meio de Cristo, pois a Palavra de Deus não é conceito para a mente, mas vida para o coração.
A exegese, como metodologia da ciência bíblica, deve promover, por meio da interpretação, o encontro entre o homem e Deus. No dizer de Weiller, "a dialética da distância e da proximidade" devem ser aproximadas:
O texto escrito só produz seu verdadeiro sentido como Palavra do Deus vivo no encontro e na tensão destes dois pólos históricos. Uma releitura fiel e engajada da Bíblia, a partir do Espírito que a anima (cf. Jo 14.26), faz explodir o potencial criador da Palavra de Deus, fonte geradora da verdadeira vida.
Uma leitura bíblica que podemos chamar de eficaz ou científica é aquela que usa uma metodologia capaz de conduzir o leitor ao correto significado do texto. Assim sendo, tal qual Filipe, a exegese se propõe a conduzir, liderar, ou guiar o estudante das Escrituras na compreensão ou entendimento do texto bíblico. Conforme a concepção de Schnelle, a exegese é um processo de leitura, aprendizado e compreensão dirigido metodologicamente, cujo objetivo é realizar um inventário das dimensões históricas e teológicas dos textos.
Portanto, a primeira função da exegese bíblica é entender a tessitura do texto, compreender a trama que dá azo (motivo) a mensagem do hagiógrafo.

A exegese envolve uma leitura técnica das Escrituras, nem sempre acessível a um grande número de leitores.

Há um hiato entre leitura e compreensão. É possível ler e não entender.

A necessidade que todos nós temos, conhecedores do texto bíblico ou iniciantes, de levar a sério o que fazemos com a leitura do texto bíblico. Não podemos mais, depois do conhecimento que se firmou do “mundo bíblico”, ficar alienados dos fatos e continuar a ler a Bíblia sem recolocá-la no seu contexto cultural, lingüístico, etc. "A Sagrada Escritura é a configuração categorial do que foi a percepção da presença e revelação de Deus e se quisermos que a Bíblia fale aos homens, seja qual for a cultura, a língua e o tempo em que vivem, precisamos, cada vez mais, recolocar esta mesma Bíblia na cultura, na língua e no tempo em que surgiu”.
Então temos que obsevar algumas noções:
v Não podemos fazer trabalho sério em exegese ou em teologia bíblica se não partirmos do texto 'original

v Delimitar um texto, portanto, significa estabelecer os limites para cima e para baixo, ou seja, onde ele começa e onde ele termina.

v Podemos estudar o texto em sua condição atual, ou procurar explicar como se formou a redação que chegou até nós. No primeiro caso, dá-se uma leitura chamada sincrônica, no segundo, a leitura é do tipo diacrônica

v Na análise estilística, nossa preocupação se volta para a maneira pela qual ele (o autor) procura dar maior expressividade, maior colorido, maior vivacidade a seu texto

v Lembremos que a leitura se ocupa do momento de investigarmos as etapas pelas quais passou o texto, desde sua primeira elaboração até a versão que temos em nossas edições críticas

v Faz-se, portanto, importante uma aproximação ao texto analisado de forma mais existencial e mediada, fazendo-o falar, na medida em que recupera sua função de luz para a vida da comunidade

v As abordagens examinam não só a literatura e a realidade social de Israel, mas também as forças sociais subjacentes à produção da literatura bíblica, onde se distingue a sociedade que está por trás do texto da sociedade que aparece dentro do texto

18.1 - Processos envolvidos na exegese Bíblica

18.1.1 Análise Histórico-Cultural e Contextual
Determinar o meio ambiente histórico e cultural do escritor e seus leitores

Determinar as circunstâncias históricas gerais.

Estar atento às circunstâncias e normas culturais que acrescentam significado a determinadas ações.
Discernir o nível de compromisso espiritual dos leitores.

Determinar o(s) propósito(s) do autor ao escrever o livro

Notar as declarações explícitas ou frases repetidas.

Observar os discursos morais, próprios para exortar.

Observar os problemas omitidos ou focalizados.

Entender como a passagem se enquadra em seu contexto imediato

Apontar os principais blocos de assuntos no livro e mostrar de que modo se encaixam num todo coerente.

Mostrar como o texto em consideração se ajusta ao fluxo de argumentos do autor.

Determinar a perspectiva que o escritor tenciona comunicar – numenológica (o modo como as coisas são realmente) ou fenomenológica ( o modo como as coisas parecem).

Distinguir uma verdade descritiva e uma verdade prescritiva.

Diferençar entre os detalhes incidentais e o núcleo de ensino do texto.

Identificar a pessoa ou grupos de pessoas as quais se dirige o texto.

18.1.2 Análise léxico-sintática
Léxico = conjunto de todas as palavras (dicionário da época).
Sintática = construção das frases.

Apontar a forma literária geral

Investigar o desenvolvimento do tema e mostrar como o texto se encaixa no contexto

Indicar as divisões naturais (parágrafos e sentenças do texto).

Apontar os conectivos dentro dos parágrafos e sentenças e mostrar como auxiliam na compreensão do pensamento do escritor.

Determinar o significado isolado das palavras

Analisar a sintaxe a fim de demonstrar de que modo ela contribui para a compreensão de um texto.

Colocar os resultados da análise em palavras não-técnicas e fáceis que comuniquem com clareza ao leitor de hoje o significado que o escritor tinha em mente.

18.1.3 Análise Literária
Procurar referências explicitas que indiquem a intenção do escritor com referência ao método que ele adotava.

Se o texto não exibe explicitamente a forma literária, estudar as características da passagem dedutivamente para averiguar sua forma.

Aplicar os princípios dos artifícios literários com cuidado, mas não de modo rígido (símile, metáfora, provérbio, parábola, alegoria, tipo, interpretação, ...)

18.1.4 Análise Teológica
Determinar seu próprio ponto de vista sobre o relacionamento de Deus com o homem

Anotar as implicações deste ponto de vista sobre o texto que você está estudando.

Avaliar a extensão do conhecimento teológico disponível ao povo daquela época (analogia da Escritura)

Identificar o conhecimento adicional acerca deste tópico que hoje está ao nosso alcance em virtude de posterior revelação (analogia da fé).

18.1.5 Aplicação
Dedução de princípios: Baseado numa análise histórico-cultural, contextual, léxico-sintática e teológica, do texto, verificar mediante estudo dedutivo.

Transmissão cultural de mandamentos bíblicos.

Discernir tão exatamente quanto possível o princípio por trás da ordem.

Discernir se o princípio é transcultural ou cultural, mediante exame do motivo dado para o princípio.

Se um princípio é transcultural, determinar se a mesma aplicação comportamental expressa ou não adequada e exatamente quanto o bíblico.Se a expressão comportamental de um princípio deve ser mudada, proponha um equivalente cultural que expresse o princípio divino por trás do mandamento primitivo.

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